Mochilas: utilizar de forma correta, mas com peso excessivo, também prejudica a saúde

26/04/2011 20:48

 

Um trabalho promovido pela Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) em parceria com pesquisadores da Universidade Federal de Sergipe constatou que o uso de mochilas pode prejudicar a postura de crianças, principalmente entre os menores.

O estudo feito com estudantes entre 9 e 12 anos, que carregavam mochilas, concluiu que 77,5% se queixaram de dor nas costas e 30% já apresentavam variações posturais importantes.

Luiz Carlos Lopes, pesquisador envolvido no estudo, explica que cerca de 80% dos estudantes transportavam a mochila de forma correta. “O problema estava no peso excessivo do acessório, superior aos 10% do peso da própria criança.”

O estudo avaliou a massa corporal (kg), estatura dos alunos (cm), presença de alterações posturais, quantidade de carga transportada (kg), modelos e modos de transporte das mochilas. “Setenta por cento das mochilas estavam acima do peso recomendado”, lembra Lopes.

Especialistas fazem alerta

De acordo com Lopes, os cuidados básicos para o uso adequado da mochila devem incluir os seguintes itens:

a. A criança não pode carregar na mochila mais do que 10% de seu peso;

b. Nunca carregá-la com apenas uma das tiras passada pelos ombros, pois isso pode provocar escoliose;

c. As tiras devem ser tensionadas para que a mochila fique bem junta ao corpo, e 5 centímetros acima da linha da cintura.

“O problema da mochila tem várias facetas, pois falta regulamentação sobre o assunto e os estudantes acabam carregando diariamente livros e cadernos em excesso para acompanhar as aulas”, enfatiza Osvandré Lech, presidente da SBOT.

Lech defende ampla discussão do tema, pois tanto é necessário que os pais verifiquem se o peso que a criança carrega não é excessivo, como é preciso pensar em soluções alternativas. O armário para deixar os livros na escola – comum em países como os EUA – é uma delas, ou a maleta com rodinhas, para ser puxada e não carregada. E até as editoras precisam pensar em soluções.

“Na França, por exemplo, a gramatura das folhas dos livros é menor para as publicações escolares”, diz Lech, indicando que isso diminuiria o peso carregado pelas crianças e conseqüentemente os problemas acarretados pelo hábito.

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Com informações da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)

 

Fonte: UOL ciência e saúde.

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