Ginástica laboral na qualidade de vida

29/04/2011 20:30

  

Enfrentar as dificuldades do dia-a-dia exige ordem e energia. O corpo humano precisa estar saudável para reagir às situações que causam grande desgaste físico e mental. Há uma parcela da população que não se preocupa com seu estado emocional ou físico, sem perceber que tal descuido pode comprometer sua saúde. É essencial a existência de práticas positivas com os cuidados em relação ao organismo, pois essa atitude afeta diretamente a Qualidade de Vida.

O termo Qualidade de Vida inclui diversos fatores. Diz respeito a como o indivíduo vive, sente e compreende seu cotidiano. Envolve, portanto, saúde, educação, transporte, moradia, trabalho e participação nas decisões que lhes dizem respeito. Compreendem desse modo, situações extremamente variadas, como anos de escolaridade, atendimento digno em caso de doenças e acidentes, conforto e pontualidade nas diversas condições, alimentação suficiente e adequada, até mesmo, a posse de aparelhos eletrodomésticos.

Qualidade de Vida é uma expressão muito ampla que apresenta infinitas definições por variar de indivíduo para indivíduo, grupos sociais para grupos sociais, entre trabalhadores de diferentes funções, enfim, não existe unanimidade. A Qualidade de Vida pode ser melhorada através de várias maneiras: fisicamente, como exercitar e alimentar-se adequadamente; psicologicamente, como cuidar de si mesmo e, socialmente, interagindo com outras pessoas. Um fator importante que leva a resultados positivos para a qualidade de vida é a adoção de hábitos saudáveis.

        A prática de atividades físicas é um desses hábitos que mais influenciam uma boa Qualidade de Vida. Nesse aspecto, existem várias modalidades que podem ser trabalhadas em diferentes situações; uma delas é a Ginástica Laboral.

Realizada no ambiente de trabalho, a Ginástica Laboral é um tipo de atividade física específica direcionada à musculatura mais requisitada durante as tarefas, preparando o organismo para o trabalho físico, promovendo a manutenção e normalização do tônus muscular e também compensando e relaxando qualquer esforço repetitivo.

Estudos puderam comprovar que os benefícios obtidos com a prática da Ginástica Laboral não são apenas físicos, como também psicológicos e sociais; sendo que, em todos estes aspectos estão diretamente relacionados com a Qualidade de Vida.
Neste sentido, o incentivo a realização da Ginástica Laboral como meio de auxílio aos trabalhadores deve ser sempre praticado por empresas e demais órgãos e instituições com enquadramento funcional. 

 

 

Ginástica laboral deve ser adequada ao tipo de atividade funcional

Empresários inteligentes vêm buscando alternativas para diminuírem o custo com despesas médicas e/ou afastamentos de empregados acometidos por doenças do trabalho justamente quando esses têm mais experiência profissional. A perda é tanto do empregado como do empresário. Medidas simples podem ser adotadas tais como, rotatividade nas funções, treinamentos periódicos sobre ergonomia, saúde e segurança no trabalho, incentivo à atividade física, postos de trabalho adequados e implantação da ginástica laboral, uma atividade física simples cujo objetivo é o relaxamento com alguns alongamentos e principalmente quebrar a rotina do ambiente tanto de quem trabalha sentado digitando, fica em pé ou abaixando e levantando carregando mercadoria. A L.E.R. (Lesões por Esforços Repetitivos), é uma doença, cujos índices aumentaram muito atingindo diretamente os digitadores e as dores nas costas, coluna e problemas circulatórios atinge quem trabalha em pé, abaixando e levantando.

Claro que o empregado não deve ser obrigado fazer a ginástica laboral, mas se você estiver em uma atividade de ginástica e no meio dessa atividade você queira sair, ou não queira fazer, não tem problema, pois se você ou outras pessoas se ausentavam indo tomar um café, fizer um xixi e depois de encerrada a ginástica voltarem. Não haverá problema nenhum, pois o objetivo era esse mesmo, quebrar a rotina no ambiente de trabalho e todos se beneficiavam inclusive quem não fazia porque saía, andava e se mexia pensando em outra coisa.

Apesar de simples a ginástica laboral deve ser adequada a cada tipo de trabalho em função das posturas adotadas e problemas de saúde a que estão sujeitos. Por isso, o profissional de Educação Física deve ter conhecimento mais amplo nas áreas de fisiologia do exercício, ergonomia, técnicas de relaxamento, alongamento, segurança do trabalho, medicina ocupacional, massagem e dinâmica de grupo. Não é simplesmente trazer a filosofia de academia para os postos de trabalho porque o objetivo é outro. Se o profissional tiver ainda uma visão gerencial, melhor ainda porque fica mais fácil negociar com os gerentes. Depende deles “comprar a idéia” da Ginástica Laboral. Se eles não forem convencidos o projeto não emplaca e para convencê-los é preciso falar a mesma linguagem com números. Isso implica conhecer o foco, o ramo de negócio, o perfil e a cultura da empresa que o profissional de Educação Física se candidata a prestar serviços. Implica ainda conhecer as leis trabalhistas, estar atualizado com o programa da Qualidade e mostrar para seu cliente a tendência atual de mercado das empresas em desenvolvimento. Empregados satisfeitos rendem mais, são mais prestativos e colaboradores.

Uma idéia que não costuma dar bons resultados é o empresário dispensar os serviços profissionais e continuar a Ginástica Laboral com os chamados multiplicadores que são empregados da própria empresa sem habilitação em Educação Física, achando com isso estar economizando. Além disso, se caracterizar exploração de mão de obra barata e exercício ilegal da profissão, o suposto barato pode sair muito caro. O empregado se demitido ainda pode requerer na Justiça os direitos de acúmulo e/ou desvio de funções e no caso não faltarão provas. Sem formação e informação os multiplicadores poderão estar contribuindo com um risco ainda maior na saúde dos empregados.

Trabalhos bem conduzidos mostraram que a Ginástica Laboral orientada por profissional habilitado reduz os problemas relacionados a dores, desanimo, falta de disposição, insônia, irritabilidade, promovendo qualidade de vida. Quando a orientação é feita somente por multiplicadores o programa fica muito limitado e o empresário não tem como cobrar resultado. Os multiplicadores são muito úteis desde que estejam sob responsabilidade e orientação de um profissional de Educação Física. Melhor ainda se esse programa estiver composto por uma equipe multidisciplinar de saúde. Determinados problemas podem ser avaliados e tratados individualmente sem afastamento do empregado. Empresários inteligentes investem na força de trabalho. Trabalhe para viver... não para morrer!!!

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