Educação em Rondônia

30/03/2011 14:52

 

Secretário de Educação nomeou amiga dos tempos de UNIR (administração) para cargo de coordenação geral pedagógica de 400 escolas com remuneração de R$ 6.000,00.

Importante cargo na condução da SEDUC deveria ser ocupado por professor ou pedagogo que conhece as realidades e anseios de todo sistema educacional.

29/03/11 às 15:53 | Prof. Victória Bacon

Parte inferior do formulário

Importante cargo na condução da SEDUC deveria ser ocupado por professor ou pedagogo que conhece as realidades e anseios de  todo sistema educacional.

 Após verificar que a senhora Rita Ramalho, psicóloga e mestra em administração, conseguiu uma boquinha nos quadros da SEDUC, com CDS superior a bagatela de R$ 6mil reais, perguntei-me, qual destino de nossa educação tendo um eletricista como secretário, uma ex-funcionária do SEBRAE como adjunta e uma psicóloga como coordenadora de importante setor da mais complexa secretaria do estado?

Claro que estas desmazelas da equipe da “Nova SEDUC” esta causando um grande desconforto e desânimo que se percebe ser total entre os que atuam nas mais de 300 escolas pertencentes à Rede Estadual. A cada escola o que se encontra é a falta de estímulo, de perspectivas e da vontade de se crer que um dia poderá mudar a situação caótica e vergonhosa que se encontra a nossa educação.

Qual o papel da educação em nosso estado?

A educação como sabemos é a base para a formação integral do indivíduo em sociedade. Esta formação se passa pelas horas diárias que um aluno fica na escola em contato com o professor. Óbvio que ao faltar estímulo, humanização e respeito o resultado será um professor não compromissado com seu alunado que se traduz a toda esta vertente de repulsa a profissão que se encontram aos que escolheram o magistério como meio de sobrevivência. Quando deparamos com uma notícia da qual uma pessoa que sequer lecionou numa escola pública, sequer cursou uma licenciatura, sequer conhece os ritmos e entraves de nosso sistema educacional, fora colocada por vontade e amizade de um secretário que também não tem nenhum conhecimento com o sistema educacional público a resultante desta triste equação lógica é a lentidão e a mesmice que nos encontramos neste sistema que não sai do lugar que entra e sai governo continua a mesma equação sem resolução. A tal coordenadora e o secretário (SEDUC) no desespero pelas cobranças de seu chefe (o governador) estão anunciando projetos que sequer sabem a noção de sua dimensão. Projetos como Escola Vaidosa, que ambos querem criar varandões e chapelões nas escolas o que chega a ser o cumulo do ridículo na administração pública. Enquanto mais de 200 mil alunos estão sem professores de alguma disciplina, escolas sem água potável, sem climatização, sem merenda escolar digna, sem estrutura em todos os sentidos, os mesmos (secretário e coordenadora) estão brincando de fazer educação pois para se construir a tal educação e o sistema é preciso tomar um banho da realidade que se encontra o sistema. Nenhuma escola recebeu a visita desta coordenadora ou do secretário, afim de se conhecer a triste realidade de milhares e milhares de alunos, salvo para cumprirem protocolos oficiais.

A questão não é debater só salário, plano de carreira ou transposição de servidores para enxugar a folha. É preciso pensar alto, pensar no sistema como um todo, vindo lá de cima, começando do governador, que escolhe seu secretário e seu adjunto, que porventura formará sua equipe de trabalho e que cada membro da equipe ligada ao secretário designará seus núcleos de atuação resultando, por fim, a atuação nas escolas. Se começa mal, escolhendo erradamente o secretário que é engenheiro e a adjunta que é da área de informação do SEBRAE claro que todo o resto será afetado direta ou indiretamente. A cascata da incompetência é a resultante das forças negativas que atuam no sistema delicado chamado educação pública. Coordenadora da área pedagógica que é psicóloga com formação continuada ema administração. Assessores ligados à engenharia e até mesmo da área da saúde com “boquinha” na SEDUC através do maldito sistema CDS

Citei o caso da senhora Rita Ramalho, por discordar completamente de sua função junto á SEDUC. O cargo que a mesma ocupa chama-se Coordenadoria Pedagógica Administrativa – COAP que nada mais é o núcleo de toda a SEDUC. É um importante cargo que analisa projetos, mecanismos de ações, planos de intervenção e ação, modelos de sistema, legislação educacional, pareceres, enfim uma pessoa que conheça o sistema educacional, que tenha convivido com a realidade da escola pública, que seja grande conhecedora na elaboração e execução de projetos educacionais seria sim, o perfil ideal a preencher tal vaga.

Nosso Estado entre todos da federação, foi o que menos colocou aluno de escola pública através do SISU (Sistema criado pelo governo federal para que alunos de escola pública ingressem em uma universidade federal via ENEM, por que será?). Por que a SEDUC não divulga estes dados? Onde está o SINTERO, os senhores deputados, os senhores senadores, a sociedade civil organizada, enfim os que parecem ainda amar este Estado e não cobram do senhor governador uma posição fatal em relação á educação?

Cada aluno custa 2,00 reais para a SEDUC mensalmente. Uma vergonha. O menor valor do país, analisando a renda per capital e o PIB num estado que nos últimos 10 anos triplicou sua riqueza. Este dinheiro é depositado para se “fazer escola” o que ao um ver é impossível se criar mecanismos que tornem o espaço escolar relativamente de qualidade a uma esmola de 2.00 reais.

Por isto lhes digo: Na SESAU, o secretário é médico e seus gerentes ligados à área da saúde, na SESDEC o secretário e sua equipe são todos ligados ao universo do direito, então por qual razão que esta lógica coerente não ocorre na SEDUC?

Já estamos há 90 dias da nova gestão e nenhuma mudança de caráter positivo foi implantada. Como informei no início deste artigo aberto; a expectativa de todos os que labutam no universo da educação em Rondônia parece-me despencar como o orgulho ferido de um governante que despenca nas eleições.

Até quando. Meu Deus!

 

Texto original que recebipor email.

Original da Prof. Victória Bacon 

Voltar